InfoByData
Negócios

Crédito para pequenas empresas sem acesso a banco: como funciona o modelo da AgendaPro, pago com as vendas

A AgendaPro entra no negócio de fintech com crédito para pequenas empresas sem acesso a banco, de CLP 1,5 a 4 milhões, pago com uma parte das vendas. Como funciona e por que importa.

Por Redação InfoByData

· 4 min de leitura

Gráfico com a receita recorrente anual da AgendaPro em agosto de 2025, a projeção para 2026 e a meta de receita para 2030, ao lado das condições de seu crédito para pequenas empresas
Ilustração: InfoByData

A startup chilena AgendaPro, conhecida por seu software de agendamento para salões de beleza, clínicas de estética e consultórios, começou a oferecer crédito para pequenas empresas sem acesso a banco. Os empréstimos vão de CLP 1,5 milhão a CLP 4 milhões, em até 24 parcelas, e são pagos com uma porcentagem do que o negócio vende: se em um mês não vende, não paga, contou seu CEO e cofundador, Julio Guzmán, ao Diario Financiero. O produto se chama AgendaPro Propay e funciona em fase piloto desde este ano, com lançamento formal previsto para 2027.

O novo crédito da AgendaPro em três números

CLP 1,5 a 4 mi

Valor do crédito

pesos chilenos

24 parcelas

Prazo máximo

pago com um % das vendas

~25.000

Estabelecimentos clientes

em 17 países

Fonte: Diario Financiero, 3 de novembro de 2026

Ver os dados em uma tabela
Valor do créditoCLP 1,5 a 4 mi | pesos chilenos
Prazo máximo24 parcelas | pago com um % das vendas
Estabelecimentos clientes~25.000 | em 17 países

Como funciona o crédito para pequenas empresas sem acesso a banco da AgendaPro

O modelo se apoia no que a AgendaPro já sabe sobre seus clientes. Como os negócios usam seu software para agendar horários e cobrar, a empresa vê quanto cada um vende e com que regularidade. Com essa informação avalia o crédito, em vez de pedir balanços ou histórico bancário.

Estas são as condições descritas por Guzmán:

  • Valor: entre CLP 1,5 milhão e CLP 4 milhões.
  • Prazo: até 24 parcelas.
  • Pagamento: uma porcentagem das vendas. Se o negócio não vende, nada é cobrado.
  • Taxa: de mercado, que poderia cair à medida que o volume crescer.
  • Requisito: usar a maquininha de pagamento da AgendaPro. A empresa quer que pelo menos 60% de seus clientes a tenham.
  • Inadimplência: segundo a empresa, não houve calotes na fase piloto.

Guzmán explicou que esses negócios ficam "fora até do factoring", porque não emitem notas fiscais que possam ser cedidas. Seu resumo do modelo: "Se o negócio ganha, nós ganhamos".

Por que falta crédito para pequenas empresas sem acesso a banco

O problema que a AgendaPro tenta resolver aparece nos dados oficiais. Segundo a VIII Pesquisa de Microempreendedorismo do Instituto Nacional de Estatísticas do Chile (INE), publicada em dezembro de 2025, o Chile tem 1.998.178 microempreendedores. Deles, 54,2% trabalham na informalidade e só 12,2% usaram um empréstimo ou crédito como principal fonte para começar. A maioria, 60,4%, começou com recursos próprios.

Como os microempreendedores do Chile financiaram seu negócio (% que usou como fonte principal)

Fonte: INE, VIII Pesquisa de Microempreendedorismo, maio a agosto de 2025

Ver os dados em uma tabela
Recursos próprios60,4
Empréstimo ou crédito12,2

Um salão de beleza ou um consultório pequeno pode vender bem todos os meses e ainda assim não se qualificar para um crédito bancário, porque não tem notas fiscais, garantias nem histórico formal. O crédito para pequenas empresas sem acesso a banco como o da AgendaPro usa outro dado: as vendas diárias que passam por seu sistema.

O negócio por trás: de software de agendamento a fintech

A ideia surgiu em 2021, quando a AgendaPro passou pela aceleradora americana Y Combinator. Seus mentores mostraram que nos Estados Unidos esse tipo de software já tinha incorporado serviços financeiros e que a porta de entrada era a maquininha de pagamento, porque cerca de 80% das transações de beleza são presenciais, segundo Guzmán.

O plano tem três etapas:

  1. Crédito para o negócio, que hoje financia com recursos próprios. Para crescer, procura um sócio que compre os créditos que a AgendaPro avalia e origina. A AgendaPro colocaria uma parte do dinheiro e a rentabilidade seria dividida em 30% para a startup e 70% para o financiador.
  2. Parcelas sem juros para os clientes finais que pagam tratamentos caros.
  3. Uma conta com cartão para os profissionais, até 2028, em parceria com um banco.

Enquanto apenas originar créditos e não os mantiver em seu balanço, Guzmán avalia que a empresa não precisa de autorização do regulador. Isso mudaria se os empréstimos ficassem em seus livros. "Meu sonho é ser um banco. Não sei se vou conseguir, porque é preciso muita escala", disse.

AgendaPro: receita recorrente anual e meta (milhões de US$)

Fonte: Diario Financiero, 3 de novembro de 2026. O dado de agosto de 2025 é deduzido de que a projeção de 2026 é "o dobro"; o de 2030 é uma meta de receita

Ver os dados em uma tabela
Agosto 202510
Fim de 2026 (projeção)20
Meta 2030100

A empresa projeta fechar 2026 com US$ 20 milhões em receita recorrente anual, o dobro de agosto de 2025, quando anunciou uma rodada Série B de US$ 35 milhões liderada pela Riverwood. No total, captou US$ 43 milhões e mira 100.000 clientes e US$ 100 milhões em receita em 2030.

Se você se interessa por como crescem as empresas jovens na região, veja o empreendedorismo na América Latina em números.

O que isso significa para você

  1. Se você tem um negócio pequeno sem acesso a banco: o crédito para pequenas empresas sem acesso a banco pago com as vendas ajusta a parcela ao que você vende. Antes de assinar, compare a taxa total e a porcentagem das vendas que será descontada, não só o valor.
  2. Se você tem uma empresa de software: o caso mostra um caminho comum em fintech, que é usar os dados de vendas que você já processa para oferecer financiamento. É um negócio mais regulado, então vale consultar advogados sobre quando é preciso autorização.
  3. Se você acompanha o mercado: a aposta da AgendaPro é que o dado de vendas substitua a nota fiscal como garantia. O resultado aparecerá na inadimplência quando o produto sair da fase piloto em 2027.

Fontes

  • crédito para pequenas empresas sem acesso a banco
  • AgendaPro
  • fintech
  • financiamento para pequenas empresas
  • microempreendedorismo
  • startups chilenas